... Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria..." (Tati Bernardi)

 

A verdade é que eu enjoei de refrigerante, e não uso mais aquele casaquinho amarelo com um furinho de baixo do braço que eu adorava. E lembra daquela pulseira que eu não tirava do braço? Minha irmã arrebentou, e eu não quis mais outra. Então não uso mais nada. Mudei de perfume também. Mudei de filme preferido. Emagreci 16 kg. Descobri que gosto de comidas apimentadas. Não escuto mais Fresno todo dia. Ah, e e eu desisti de fazer Direito, agora eu quero ser médica. Troquei de cor de cabelo, de número de roupa, de amigos. Quase não resta nada daquela garota que você conheceu no passado. Me tornei forte pra caramba, e não derramaria uma lágrima por você, se nossa história fosse de agora. Aprendi a não precisar das pessoas para ser feliz. E quer saber? Me dou muito bem assim, não sei mais o que é acordar com o rosto inchado de tanto chorar na noite passada. Sabe aquela garota indefesa e sensível que você conheceu? Morreu. Se tornou uma verdadeira mulher. Aquela, sabe, que vivia caindo. Ela aprendeu a derrubar também. E aprendeu a se pôr em primeiro lugar. Mas sabe o melhor de tudo isso? É que eu não sei mais quem é você. E todo choro, mágoa, dor e medo que você já me causou virou um aprendizado. E não sabe o quanto eu sou grata por tudo o que você já fez comigo. Nunca teria me tornado a pessoa que sou hoje. Quando aprendi a ser minha, finalmente deixei de ser sua.

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